Há muito tempo não escrevo aqui, me
cobrei diversas vezes por dois anos a respeito disto, e hoje não me importa
muito quantos textos eu escrevo, pois aprendi a me expressar com palavras ditas.
Para amigos, para inimigos. Aprendi a falar. Compartilhar sentimentos, emoções.
Que foi o principal motivo de ter feito este blog.
E hoje fazendo um bolo, percebi
que aprendi muito mais que só compartilhar sentimentos. Aprendi que quando fazemos
isto, meio que deixamos o outro a par da situação, do que estamos sentindo.
Pode parecer óbvio, mas nem sempre é. O outro não sabe o que se passa, da mesma
forma que sabemos.
Eu sei que este parece um desabafo,
uma conversa meio louca, e você deve estar a pensar o que o bolo tem haver com
isto? Bem, vou tentar permitir que você sinta agora o que eu estou sentindo.
Quando eu era mais nova, meu pai trabalhava fora e minha mãe ficava em casa, você já deve ter lido isto em algum outra história que contei aqui. Mas esta é uma história diferente, eu prometo. Minha mãe adora cozinhar, e isto muitas vezes impediu que ela nos permitisse fazer. Até porque quando errávamos meu pai reclamava muito, sempre jogando nas costas dela a culpa.
Cresci amando comer, e tendo uma
preguiça incrível de cozinhar. Me aventurei algumas vezes, aprendi receitas de
sobremesas, pudins e pipocas doces quando minha mãe viajava. Quando fui morar
fora, a cozinha se tornou uma obrigação, e tudo que é obrigação parece ter um
tanto de desgosto.
Lembro um ano que só tinha batata e arroz, cozinhei por um ano inteiro, aprendi a fazer batatas de tão diversas formas. Eu que sempre achei que a diversidade era o que permitia o aprendizado. Me peguei aprendendo a gostar de cozinhar, quando só a batata e o arroz se faziam presentes.
Lembro um ano que só tinha batata e arroz, cozinhei por um ano inteiro, aprendi a fazer batatas de tão diversas formas. Eu que sempre achei que a diversidade era o que permitia o aprendizado. Me peguei aprendendo a gostar de cozinhar, quando só a batata e o arroz se faziam presentes.
Quando vim morar em Salinas (a propósito
eu me mudei fazem quase 3 anos, desculpe não ter lhe contado) eu conheci novos
ingredientes, novas culturas e novas maneiras de se fazer a mesma coisa. Como o
frango com quiabo, feito em panelas separadas. Ou ainda, o pequi, que antes era
uma relação de ódio, hoje faço estoques para durar o ano todo.
Me peguei cozinhando e cantando, cozinhando
e dançando, cozinhando para amigos. Lembrando de tê-lo feito também em Rio Grande.
E são lembranças memoráveis. Vejam só: EU GOSTO DE COZINHAR. Me dá uma
satisfação, o prazer, o retorno ao acerto e até mesmo ao erro, quando algo sai
sem sal, ou salgado demais.
O retorno me conecta aos outros, e eu vou me aprimorando, lendo receitas, testando novidades. Fazendo refeições que antes eu nem imaginaria cozinhar. Me pego amando a cozinha, os utensílios, os eletrodomésticos que a compõe. A cozinha é meu palco, e apesar de querer ser o maestro, eu ainda sou o espectador, vendo as panelas sendo regidas a todo vapor pelo fogo.
O retorno me conecta aos outros, e eu vou me aprimorando, lendo receitas, testando novidades. Fazendo refeições que antes eu nem imaginaria cozinhar. Me pego amando a cozinha, os utensílios, os eletrodomésticos que a compõe. A cozinha é meu palco, e apesar de querer ser o maestro, eu ainda sou o espectador, vendo as panelas sendo regidas a todo vapor pelo fogo.
E o bolo? Você me pergunta. Desde
que entramos em isolamento social devido ao COVID-19, tenho tentando fazer bolos.
E acreditem, nem com receita da minha mãe dão certos. Outro dia fiz um bolo de
cenoura, parecia lindo no forno, tirei coloquei na bancada para esfriar, quando
retornei, estava horrível, e o sabor não muito agradável. Depois tentei fazer
um bolo comum, trigo, ovos, leite, manteiga, mexe. Nossa, este ficou lindo até
depois de frio. Vamos provar: Esqueci o açúcar.
Preparando outra receita, resolvi fazer um bolo de mandioca, fiquei tão preocupada em não esquecer nenhum ingrediente, coloquei o bolo no forno, deitei e dormir. Quando acordei, não havia bolo, eu tinha sonhado.
Preparando outra receita, resolvi fazer um bolo de mandioca, fiquei tão preocupada em não esquecer nenhum ingrediente, coloquei o bolo no forno, deitei e dormir. Quando acordei, não havia bolo, eu tinha sonhado.
Hoje, fiz um bolo, segui uma
receita, destas de internet, coisa que não fazia há muito tempo, e agora estou
aqui escrevendo, esperando o bolo assar. O bolo é de fubá, e olha que
engraçado, leva trigo, então também é de trigo, de óleo, de sal, de açúcar, de
ovos, de calor e de fermento. A o fermento. Nunca o esqueça. Não há ingrediente
mais precioso.
E foi fazendo este bolo que quis
escrever este texto, neste período de isolamento, não precisamos acertar tudo,
fazer tudo dá certo. Tudo bem se não der, inclusive eu sorrir algumas vezes com
meus bolos errados, talvez bem mais que sorriria com os certos.
Ninguém faz bolo para comer sozinho, nós colocamos o fermento para crescer, mas também para dividir. Tudo bem estar tudo errado agora. Mas sempre conte com alguém, use as redes sociais, aproveite seus amigos, seus familiares. Uma hora isto vai passar, e poderemos comer bolos, certos ou errados. Ainda vamos nos rever e nos divertir comendo e sorrindo de nossos bolos.
Ninguém faz bolo para comer sozinho, nós colocamos o fermento para crescer, mas também para dividir. Tudo bem estar tudo errado agora. Mas sempre conte com alguém, use as redes sociais, aproveite seus amigos, seus familiares. Uma hora isto vai passar, e poderemos comer bolos, certos ou errados. Ainda vamos nos rever e nos divertir comendo e sorrindo de nossos bolos.
Não se cobre tanto, fazer nada
também é fazer algo por si. Mas se precisar muito fazer alguma coisa, faça um
bolo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário