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23 de mar. de 2018

Tristeza clandestina


       Fiquei parada sorrindo enquanto via minha cachorra correndo pela rua, eu esperava o ônibus, ela? Nunca ser presa. Apanharam-na e a colocaram para dentro de casa. Eu consegui ouvir um choro. Mais de pirraça do que de dor. Ou talvez doesse mesmo. Talvez ficar presa doesse muito nela. Não sei. Eu achava que o quintal era grande para recebê-la. Mas para ela podia não ser.
            Observei o ônibus virando a esquina e aproximando. Uma pessoa me cumprimentou, eu respondi com meio sorriso. Lembrei que tinha algumas moedas que poderia usar para pagar a passagem. Retirei as de uma latinha que guardava na bolsa, e comecei a contar. Não me sai muito bem. Eu as contava muitíssimas vezes. E somente precisava de dois reais. Subi o ônibus, sem saber se tinha contado certo. Dei um bom dia mudo. Entreguei as moedas para a cobradora. E sentei na última cadeira a direita.
            Olhei para o lado e fiquei triste pela minha cachorra. Liberdade é uma coisa muito importante para nós humanos, seria importante também para ela? Retirei o celular da bolsa, pensei em pesquisar no google "cachorros gostam de liberdade?", lembrei que não tinha acesso a internet. Joguei um pouco. Coloquei uma música para tocar. Lembrei de um livro que estava na minha bolsa "Felicidade Clandestina", terminei de ler um conto e iniciei outro.
            A história era boa, falava de uma menina, depois veio a história de uma velha. Uma senhora que perdera sua família e agora vivia a custas dos outros. Dormia em uma cama pequena, porque era magra e pequena. Tinha a pele escura, apesar de ser clara. Vestido manchado pelo tempo e pelo uso. Uma senhora rejeitada, que sentia saudades da família que perdera, que sentia saudades das lembranças que perdera, que sentia saudades.
            A história criou em mim, uma tristeza tão profunda, que mesmo querendo saber o fim dela, eu não queria um fim. Era uma senhora. Triste. Sozinha. Que morava de favor. E as pessoas já cansadas dela, as enviaram para outro lugar. Onde também havia sido rejeitada. As paisagens que se seguiam, eram de casas, ruas e pessoas. Eu com o livro, tentava desviar meus olhares a elas. Um tempo depois tudo mudava, quando eu cheguei a olhar para fora do ônibus, já estava na estrada que me levava a meu destino. E pairando uma melancolia, no meu fone tocava "Love on the Brain", parecia cena de filme.
            Eu lendo aquela mulher, que escrevia sobre uma mulher, que morreu, que morria. E eu? Foi morrendo a alegria, foi morrendo o dia. E sem saber de onde, nasceu uma tristeza tão grande "pobre cachorra, sem liberdade", "pobre Clarice", "pobre senhora", eu pensava. Pobre eu. Mas o que tem eu? Estou triste.
            Quando cheguei ao meu destino, fiquei aguardando minha vez de descer. Pessoas iam e vinham, sem direção aparente. Cotidianamente. Eu me levantei e desci. No caminho tocava outra música. Mas eu não a ouvia muito bem. A cena da senhora na árvore, a voz de Rihanna, aquela melancolia. Eu não me sentia bem. Entrei na minha sala. E chorei.
            Mas quase que naquele instante tive que parar. A porta se mexia. Era o dia começando. Não podia ser triste. Era um dia de trabalho. Um dia de fazer acontecer. A tristeza guarda-se para outro dia. Para outro personagem. Na esperança de sorrir sempre.

10 de abr. de 2012

A marcha dos corvos



No alvorecer do dia, ele percebia a grande musica da vida, tudo feito em total conforto, o sol nascia esplendoroso bem a sua frente, de uma arvore ao seu lado passarinhos gritavam a pedido de comida, seus pais saíam desesperado para cumprir as ordens da mãe natureza. A água verde do lago a sua frente, se misturava ao vento, e parecia dançar lentamente, uma canção de se fazer acordar.  Lá no alto a serra onde no outro dia ele havia visto o sol repousar estava intacta, como se nada tivesse vida por lá. Não se avistava nada. A não ser a grama que possuía um cor indefinida. Não se era verde, não se era amarela, se estava em contraste de vida e morte. Foi quando ele se lembrou do propósito de estar ali assim no meio da natureza. 
Se levantou, espreguiçou os grandes braços. Artur era um homem alto, corpulento, estava vestido de seu calção da sorte, olhou novamente o espaço ao seu redor. Logo a frente um casal de pacas davam ao cenário o egoísmo do mundo. A única coisa que para Artur era a forma de demonstrarmos que não nos preocupávamos com o próximo. Que mesmo sabendo que em outro lugar tudo se padecia, pouco importava para ele, para aquelas pacas, ou para muitos outros. Era importante viver a vida. Era importante estar em harmonia com o cosmo. Logo sorriu. Tudo bobagem. Aqueles animais só completavam ao que vieram, povoar a terra. E sem o sexo como fariam isto? Seria estranhamente impossível? na realidade nada importava mesmo para Artur, que tinha passado trinta anos de sua vida, cumprindo seu papel na sociedade. Era um homem trabalhador, honesto, bom pai, bom marido, descente. Até a medíocre da sogra ele suportou todo este tempo. Nenhum de seus sonhos haviam sido realizados naquele tempo. Apesar de todo o dinheiro que possuía. Apesar de todo o trabalho prestado. Nem ao menos uma viagem Fernando de Noronha, um sonho tão perto, ele tinha feito.
Artur se descobriu novamente em seu dever, era domingo, e ele sabia que no outro dia recomeçaria no compasso de tudo. A grande duvida era se ele faria tudo do jeito dele, ou se iria voltar a mesquinharia de antes. 
Aquele homem de cinqüenta anos, pai de três filhos, esposo de uma mulher linda, e que lhe tinha dado trinta anos de amor, compreensão e muita... Seus pensamentos pararam por ai. Que amor? Que compreensão? Na realidade tudo havia sido um maldito engano. 
Ele se lembrou da garota com quem namorava, que havia chegado e chorado nos seus ombros, implorando que ele se casa-se com ela, pois estava grávida dele. Ele não vendo outra alternativa se foi a casa dela no mesmo dia para falar com o pai. Que lhe humilhou de todas as formas possíveis. Se lembrou do nascimento de cada filho. Carlos, Ana Lucia e Renato. Talvez as únicas coisas de valor que ele possuía em sua vida. Até quando sua esposa em um ataque de fúria, e vai saber por quê. Ela era assim mesmo, sempre foi. Olhando nos olhos dele contou que seu filho primogênito não era seu filho. Como assim? Carlos? O Carlos? Ele não quis saber mais que isto, virou as costas, pegou o carro, e dirigiu até aquele lindo lago. Estava ali a noite toda. Pensando e pensando. 
Percebeu que tinha doado uma vida inteira para alguém, e não tinha recebido nada em troca, apenas uma grande mentira. Percebeu que trinta anos da sua vida, haviam sido jogados na lixeira do mundo. Na grande e maldita lixeira da vida. Gritou. Diversos pássaros voaram pelo céu azul. Não era possível ele ser tão imbecil assim. Não tinha cabimento. Tirou a carteira do bolso, lançou sobre a água. Agora que não possuía documentos podia ser qualquer pessoa. Quem sabe ele não seria Diogo ou Antonio. Seus amigos de colégio. Não, ele queria ser outro Artur, quem sabe um com alma de poeta, um grande bardo? Que pudesse se lançar no mundo as leis mais loucas? Que fizesse a sua vida, do seu jeito. Ele então sorriu, ele enfim podia se livrar da maldita vida que levava. Podia ser qualquer alguém por ai. Sem ter que dar satisfações, iria aos bares durante a noite, e só voltaria pela manhã, dormiria o dia todo, e nada mais seria regra. Viveria intensamente cada minuto. Iria a academia, já era hora de perder aquela barriga enorme.  Veria todos os jogos do Atlético Mineiro, mesmo que fosse para se decepcionar depois. Não teria problema, pois seria a sua vida. A vida de Artur. 
Retirou do bolso o celular. Tinha uma mensagem marcada na tela, abriu era da sua esposa, leu:
" Artur querido, sei que te decepcionei, mas volte para casa, estamos preocupados, e amanha é um longo dia, lembra-se? É o dia que será escolhido vice diretor da empresa." Artur sacudiu a mão na bermuda, e foi para casa. Afinal viver aquela nova vida lhe custaria muito mais. Seria muito trabalhoso, e ele já era velho. Olhou para o casal que deitados sobre a grama pareciam comemorar o enlace que tiveram. E se despediu de tudo aquilo. Respirou fundo, caminhou ate o carro, sorrindo. 
- Como é bobo Artur. Como você é bobo. Seguiu em direção a sua vida. E o que mais poderia desejar ele? Nada. Afinal tudo era uma grande marcha de corvos. E ele não queria ser sua comida. 

24 de mar. de 2012

Meu primeiro amor

   Miguel observava a grande roseira a sua frente, rosas vermelhas e belas. Um pouco mais adiante o grande lago, refletia a luz do sol. E o céu estava azul, repleto de nuvens bem formadas. Um avião cruzava no espaço distante. E ele sorria, como se ouvisse uma canção, seus pés batiam no chão, acompanhavam o compasso da música silenciosa.
   Algumas frutíferas árvores se deixavam levar pela força do vento, folhas caíam em terra e em água. Ele respirou fundo, havia um cheiro floral e frutas também ajudavam a impregnar o ambiente. Tudo chegava junto ao cheiros das águas que se espalhava no ar. Sentiu uma leve coceira no nariz, era o polem, esfregou-o, depois passou as mãos sobre a grama verde no chão, estava úmida pelo sereno da noite. O céu escurecido amanhecia bem a sua frente, ele olhou o relógio de pulso, eram seis horas. "É agora". Pensou. Retirou a bota, colocando-as a sua direita, depois a bermuda, retirou a camiseta formando um monte ao seu lado. Se levantou, caminhando para ali próximo. De dentro de uma sacola retirou um conjunto de terno que estava pendurado a uma arvore, a roupa possuía a cor negra, com um colete branco e gravata preta. Vestiu primeiro a calça, calçou os sapatos, completou-se em seguida, fazendo um nó na gravata, no traje que refletido na água, lhe deixava um verdadeiro pinguim. 
      Colocou os óculos de leitura, pegou um papel de dentro do bolso, deu uma última olhada, enquanto caminhava. De longe uma voz soava, aumentando a cada passo que dava, suas mãos começaram a suar frio. Avistou um amontoado de pessoas. Um pouco mais perto. O grupo se reunia em torno de um caixão, dentro dele uma senhora parecia adormecida. Um padre falava. Miguel não prestava atenção, mas assim que cessou, ele começou seu discurso:














    - "Eu sei que se espera muito de mim, afinal que filho não teria boas palavras para falar da mãe? Sim eu sei, esta mulher foi distinta. De seus amigos e familiares, e até inimigos, sim inimigos, todos temos, mesmo aqueles de bom coração. De todos vocês, e o restante, ninguém tem nada, em momento algum, que pudesse denegrir a imagem desta senhora, minha mãe. Dentro da nossa sociedade ela foi caridosa, humana e acima de tudo honesta. Me lembro bem a primeira vez que a vi, aquele olhar meigo, que precisamente me forçou a correr até ela, em um abraço aconchegante, e eu tinha apenas cinco anos quando conheci o amor a primeira vez. Sai daquela casa inúmeras vezes segurando a sua mão, certo de que estaria alcançando a felicidade. Ela nunca foi como as outras pessoas, nem como as outras que nos levavam a passear, não me dava doces e muito menos brinquedos. Ela me enchia de palavras, coisas que carrego comigo, coisas que posso carregar por uma vida inteira. E quando ela me levou para casa, nada era tão importante quanto estar com ela. Senti seu abraço, ouvir sua voz. No nosso último encontro, ontem, ela não pode dizer muito.       

    Mas o olhar meigo, ainda, estava lá, e o sorriso também. E eu me perguntei inúmeras vezes, porque alguém era tão bom. Porque alguém podia ser tão bom com alguém que nunca lhe deu nada, não foi nada além de despesas e choros. Então senti vontade de chorar, eu só queria poder entender aquilo, entender tanto amor. Me aproximei um pouco mais dela. Algo tinha mudado, seus olhos estavam tristes, vazios e inanimados. Ela havia partido. Por incrível que pareça eu não fiquei triste, e de meus lábios brotou um sorriso. 

        Era naquele momento em que o elo estava acabado, que eu finalmente conhecia a verdade. Eu havia aprendido a melhor lição de todas. Está mulher, que agora se vai para sempre, a que a maioria de vocês velou toda esta noite, tinha amor, e isto a definia. E eu sei que sempre terei ela como um exemplo. Porque ela foi mãe, sem nunca ter tido um filho de si. Foi por escolha, como qualquer pessoa poderia ter feito, porém foi ela quem o fez. E eu ao menos uma vez, queria ter dito a ela que fui o filho mais amado do mundo, porque era assim que eu me sentia. E sabe, eu tive muito orgulho dela. E vou levá-la para sempre comigo, transmitindo seus valores para cada pessoa que eu puder atingir com seu amor. Porque aprendi com ela que o amor é algo que não se pode tocar, mas como algo intangível, é a melhor coisa para nos atingir, e eu poderia mesmo ser qualquer coisa a partir deste amor que recebi, porém não preciso. Porque o amor transforma a ponto de ser apenas amor. E é incrível. É incrível". 
         Terminou deixando o papel cair de suas mãos, as pessoas ao redor choravam, ele virou as costas, o caixão descia ao túmulo. Em meio as lágrimas ele sorria. Esta confusa cena representava apenas o amor, quando sente falta.

24 de ago. de 2011

Nas asas dos sonhos

Sabem, os sonhos são nossos fieis escudeiros, eles às vezes nos dão sentido, nos guiam ao viver, porém ouvir de uma amiga que os melhores sonhos são o que temos acordados, acho que ela tem razão...


Letícia estava sentada no banco da praça, vestida com um belo vestido rosa, tinha a pele negra, os olhos pretos inocentes, e uma boca carnuda. Extasiava-se de prazer ao observar as folhas caírem da arvore, e as vezes sorria quando o vento as carregava, levantou-se e começou a seguir as folhas, ora as verdes ora as vermelhas, e algumas vezes as secas. Ela estava só. Apenas ela e o sol forte sobre o céu. Um lindo azul resplandecia ao cantar dos pássaros e voar das andorinhas, lá em cima um avião riscou o céu, deixando um rastro, que sumiu pouco depois. 
Sem que percebesse Letícia já estava a pular pela praça, dando gargalhadas estrondosas, corria livremente, abraçava arvore, lançava pedra ao pequeno lago, enquanto elas se ricocheteavam em três pequenos pulos, tentava contar os patos que estavam unidos como se conspirassem, e sempre errava a conta, quando um deles resolvia correr e alertar os outros, de que ela os observava, eles mudavam de posições e recomeçavam suas idéias de dominação mundial. Ela recomeçava a brincadeira.
Por fim algum tempo depois, ela caiu sobre a grama verde. Olhou para o céu, algumas nuvens tinham chegado, ela soltou um suspiro, ao ver uma que parecia ser um menino, e a cada movimento imaginou o menino a caminhar em sua direção. Fechou os olhos, podia sentir o calor do sol em seu rosto, pareceu ser coberta por alguém, sentiu calafrio na nuca. Lembrou-se da nuvem ela já não estava mais do mesmo jeito, parecia que agora deitava sobre alguém. Sim a nuvem era um menino, lindo, branco, alvo, sincero e que lhe sorria com belos dentes, que lhe piscava e deixava a mostra um belo olho verde. Que lhe acariciava a pele, e os dois assim unidos pareciam o encontro da lua com o sol, o menino com sua boca rosada, tornou-se sério e ao mesmo tempo irresistível, ela corou quando percebeu que tentava beijar o ar, mais prosseguiu em seu sonho maluco, fechou os olhos, o menino agora lhe tocava a testa com um beijo, desceu devagar beijando as muitas partes de seu rosto, quando por fim tocou-lhe a boca, era gelado seu beijo. 
Letícia abriu os olhos, então pode ver chovia, os pingos de chuva desciam sobre o chão, tocando uma bela valsa, o sol iluminava a pista de dança e a nuvem... Bem a nuvem se desfazia a cada beijo, e Letícia já de pé, a bailar em um compasso de seus um, dois e três, fantasioso e tão real que de dentro dela saiu também uma chuva, seus olhos trataram de molhar a face, também queria retribuir o beijo do menino, também queria mostrar a ele que estava ali por inteiro, sem cobranças, sem pensar no depois. 




A garota do vestido rosa, que foi a praça para se esquecer de seu amor, pode então descobrir porque chove quando existe sol, e se abraçou por inteiro.

4 de jul. de 2011

A mãe!

Toda vez que eu passava em frente aquela igreja, e olhava lá para dentro, e observava aquela cruz, com aquele homem pendurado. Ficava um pouco confuso, e perguntava para minha mãe quem ele era, porque estava ali, se estava doendo. Ela sempre respondia com aquele olhar terno, que era o filho de Deus, que um dia morreu por nós. Eu ficava com uma dó dele, ali pregado para sempre. Chorava e chorava dizendo:

- Tadinho dele né mãe?

- É mesmo filho. Fazia o sinal da cruz, que eu sempre imitava. E continuávamos nossa caminhada, falando aquela conversa de mãe e filho, onde ela era conhecedoras de todos os saberes, e eu só alguém que perguntava tudo e sempre tinha a resposta, era muito inteligente.

Houve um dia que eu vi um homem vendendo algodão doce, bem ali do outro lado da rua da igreja, larguei logo da mão de minha mãe e corri, queria tanto aquele algodão. ela veio atrás de mim gritando:
- Olha o carrooooo.....

Eu não o vi, não mesmo, e de repente senti alguém me empurrando, era minha mãe, caído no chão olhei para atrás, lá estava ela caída ensanguentada no chão e o carro logo a frente. Fui me aproximando dela, já esquecido do algodão, senti um calafrio nas costas, a abracei, foi quando ela me disse:

- Eu te amo meu lindo. Foi a ultima coisa que ela disse para mim, e também a ultima vez que a senti tão quente. Não queria solta-la nunca, eu não sabia bem o que estava ocorrendo, um homem alto veio e me tirou da minha mãe, que homem mal era aquele? Porque fazia aquilo? Fiquei tão assustado que comecei a correr, corri o máximo que pude. Pensava em todas aquelas cenas. Até que começou a chover. Fui parando devagar, comecei a chorar, foi então que lembrei do que minha mãe havia dito:

" - Deus esta no céu." Foi ai que entendi, o quanto este Deus era bondoso, e também sofria comigo, pois chorava a morte de minha mãe, junto a mim.

Foi o pior dia de toda a minha vida.

E é sempre nestas horas, em que a chuva começa a cair que me lembro da minha mãe e choro, pois sei olhando pela janela, que outro menino acabou de perder sua mãe, e isto é muito triste.

17 de fev. de 2011

Renato!

Um senhor sentou-se em uma praça, triste, solitário. Quando de repente um menino caminhou até ele.
O Senhor ficou observando o menino que parecia lhe lembrar alguém muito conhecido, porém em vão, por mais que tentasse não conseguiu. Chamou-o pelo nome de seus netos um por um:
- Carlinhos. Fernandinho. Marcos. Eduardo. Pedro. E nada. De repente o menino correu e sumiu na rua deserta. O Senhor ficou olhando a rua esperando o menino voltar, quando sentiu algo lhe tocar o rosto, era o menino que veio pelo outro lado. O senhor olhou bem para o menino, e perguntou o seu nome, o garoto respondeu:
- Renato senhor. E foi embora correndo.
O senhor continuou ali parado, observando o céu, que permanecia azul, sem nuvens, sem movimento. Quando um jovem sentou ao seu lado. O senhor mais uma vez, reconheceu ali alguém, porém nem uma atitude tomou, não queria se confundir como da primeira vez. O jovem se aproximou, passou as mãos sobre o eu rosto, deixando cair uma lágrima, o velho o chamou pelo nome dos filhos:
- Sebastião é você? Tiago? Pedro filho?
E nada, nenhuma resposta. O jovem sentou ao seu lado do banco dizendo:
- Renato senhor, meu nome é Renato.
- Como assim? Outro Renato?
- Outro não, vejo apenas um. Terminou a frase e se foi, como o garoto.
O senhor um pouco desajeitado se levantou, já não sabia o que ocorria, apanhou a bengala sobre o banco, se escorou e saiu caminhando, avistou um homem, vindo em sua direção. E se os outros lhe pareciam conhecidos, este muito mais, existia algo nele, comum a seus olhos, observou e nada lembrou. Quando o homem repetiu a cena dos anteriores, acariciando seu rosto.
Não podendo mais com aquilo, o senhor empurrou a mão do Homem, e gritou:
- Quem é você? E que brincadeira é esta? Tão pensando que sou otário?
- Não senhor. Meu nome é Renato.
- Ora esta! Renato, Renato. Isto é pegadinha é?
- Não senhor, pegadinha nenhuma. Por que o senhor diz isto?
- É que agora pouco vieram dois, um jovem e uma criança, que fizeram o mesmo que você, e também se chamavam Renato.
- Estranho mesmo, o Senhor falado isto é que me lembrei. Ontem mesmo passei aqui e vi o senhor ai, sentado, triste, cabisbaixo, que prometi para mim mesmo, que se o senhor estivesse aqui hoje, viria falar com o senhor. Sabe o senhor lembra muito meu pai, parecidíssimo.
- Não acho que pareça tanto.
- É porque o senhor não o conheceu.
- Olha lá são eles de quem te falei.
- Os Renatos?
- Sim eles mesmos, chame-os aqui.
- Vou até lá. Saiu em direção aos dois. Ficou por um tempo conversando quando começou a abraça-los e a chorar. o senhor ficou a observar, sem entender nada. LEvantou e foi até eles.
Os três pararam perplexos olhando para ele. E disseram em coro:
- Não se lembra de nós Renato?
- Renato eu, a é isto mesmo ia me esquecendo. Como sabem?
- Não percebe o senhor. Somos você. Em outras épocas e idade.
O senhor olhou-os como se o mistério tivesse sido desvendado. Sim claro que era ele, agora se lembrava. Renato, criança, jovem e adulto e por fim Renato velho. Em um tom de remorso e lamento falou:
- Como pude esquecer de mim. Abraçou-os, lembrando dos tempos passados, onde ele era prioridade na sua própria vida. Fechou os olhos enquanto chorava. Quando os abriu estava só. Foi para a casa cansado, deitou e nunca mais acordou.

OBS: Não espere que o tempo passe para se lembrar dos teus sonhos, desejos e de você próprio. Todos os dias te coloque como prioridade. O amor ao ´próximo nada mais é do que o respeito pela própria vida.