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29 de abr. de 2015

Amor de imersão


Ele carregava um canivete,
E como quem fere um animal,
Feriu o coração de outrem.

Ela carregava uma rosa,
E como quem fere um dedo,
Feriu o coração de outrem.

Eles um dia se encontraram,
E como quem conversa,
Feriram suas imagens.

Foi na cama que os selvagens,
Descobriram ter ferido o ego.
Pobre ego coitado,
Voltou inconformado,
Pois não ferira ninguém.

...

O sol pediu passagem a outrem,
Que se despediu de uma pedra,
Pois havia tropeçado n’ela.

Outrem andando se viu no espelho,
E vendo uma pedra, se apaixonou,
Por ela.
Ela com desgosto do beijo do moço,
Apaixonou-se por ele.
E ainda um tanto selvagem,
Lembrou-se... E depois morreu.

Agora que ele vive só,
Continua sem dó,
A usar seu canivete.

Outrem não tendo a quem amar,
Amou sua própria imagem,
Satisfazendo o ego,
Que não amava ninguém,
E não sabia outra coisa,
a não ser ferir-se.