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19 de ago. de 2012

(Capitulo 3) Depois do amanhecer


- Você esta me dizendo que cada uma daquelas pessoas assassinadas, passavam por um tipo de violação de direito em suas casas?
- Sim senhor.
- De que tipo?
- Todos os tipos, estupro, espancamento, brigas, indução ao uso de drogas e muito mais.
- E só agora você vem me dizer isto?
- Mas senhor, para mim elas eram as vitimas.
- E elas ainda são as vitimas, seu tonto.
- Desculpe senhor.
- Tu é um imbecil Lucas, nós somos. Estamos trabalhando a quase dois meses neste caso, bem muito mais se formos contar o tempo desde o primeiro assassinato. E é o próprio assassino quem nos dá as pistas? Nós não sabemos de nada? Que tipo de investigadores nós somos?
- Mas senhor, eu só...
- Cale a boca. O que mais tem para mim?
- Descobriram ontem uma moça que teve contato com ele, acreditamos que ela seria a próxima vitima.
- E qual é o nome?
- Elisa Oliveira.
- A quero aqui em uma hora.
- Ela é de Minas Gerais senhor.
- Isto não é problema meu.
....
Larissa recebe a prancheta com as informações novas. Após uma semana sem falar com ele, ela não havia conseguido parar de pensar na sua frieza um só segundo de sua vida. Em frente à porta da sala ela estralou os dedos, respirou e entrou. Ele estava sentado com seu uniforme laranja, algemado pelas mãos na cadeira, e os pés na mesa. Olhava para baixo, balançando o corpo para frente e para trás. Falava alguma coisa que ela não soube definir. Os quatro homens que fazia a vigilância do local olharam para ela, e todos balançaram os ombros, como que ela tivesse feito uma pergunta. E ela entendeu que eles também não sabiam o que ele fazia.
- Boa tarde, Fernando. Ele aumentou o tom de voz.
-..."Fools" said I, "you do not know
Silence like a cancer grows
Hear my words that I might teach you
Take my arms that I might reach to you"
But my words like silent raindrops fell
And echoed in the wells of silence

- Fernando?
- And the people bowed and prayed
To the neon God they made

Olhando para uma camera que estava no canto direito da parede ela disse:
- O que ele esta dizendo Edgar? Fernando começou a cantar, em ritmo mais acelerado e cada vez mais alto:
- Left its seeds while I was sleeping
 And the vision that was planted in my brain
 Still remains within the sound of silence…
- Edgar?
 Uma voz saída do alto falante respondeu:
- É música, Simon & Garfunkel, o som do silencio.
- O que ele quer dizer com isto?- A psicóloga aqui é você doutora. Ela voltou para ele, com um soco sob a mesa. Pela primeira vez ele olhou para ela. Sorriu.- Porque esta sorrindo?- Por você. Gargalhou.
- Pare com isto. Não percebe que você esta ferrado?- Eu sou o ferrado, doutora, e é você que esta nervosa. E pelo visto o chefe também.- Me diga por que estava cantando?- Ainda não sabe? Uma semana doutora. Uma maldita semana, trancado naquela cela fedorenta. Comendo restos de comida, ao lado de ratos. É apenas o que eu pude me concentrar nesta maldita música. Sabe, eu adorava esta música. Você me tirou do sério, me fazendo odia-la.
- Eu não fiz nada.- Me fez esperar, ouvindo o maldito som do silencio. Ele é aterrorizante. E eu já te disse não gosto de ficar sozinho. Nem motivo para me colocarem em uma cela como aquela, vocês tem. Eu conheço este jogo. Não vai funcionar comigo. E tem mais...Interrompendo a sua fala, ela perguntou:- Porque não matou Elisa?Ele tornou abaixar a cabeça e cantar:
- And the sign said
"The words of the prophets
Are written on the subway walls
And tenement halls"
And whispered in the sound of silence
- Porque você não a matou?
- Você quer mesmo saber?
- Sim.
- Eu não a matei, porque ela merecia viver. É uma revolucionaria. E eu me apaixonei por ela.
- Ela sabia quem você era?
- Sim sabia.
- Sabia de todos os crimes que você cometia?
- Não sabia. Isto era meu. Só pertencia a mim. Era a minha formula para mudar o mundo. E por mais especial que Elisa fosse, eu jamais poderia dizer a ela destas coisas.
- E porque não a matou?
- Eu simplesmente achei que alguém deveria viver, para contar como eu fazia as coisas.
- Seu mentiroso.
- Não é mentira senhora. Se tem uma coisa que eu não sei fazer é mentir. João me ensinou que a verdade tem seu preço, porém a mentira custa muito mais caro.
- Porque sempre se refere a João, mesmo depois de tudo que ele te fez, e do senador você não faz referencia alguma?
- Minha cara. Quem é o senador? Não conheço nenhum senador.
- É seu pai.
- Pai? Que pai? Nunca tive pai. A senhora devia saber.

O alto falante soou mais uma vez sob a voz de Lucas agora:
- Acabou o tempo senhora Larissa.

Ela se levantou, seguiu em direção a porta.
- Senhora?
Virou, era ele a chamar.
- Sim.
- Verificou sobre o seu marido?
- Claro que não, seu cretino.
- Pois verifique. As terças, este é o dia infalível. Depois disto passará a crer mais no que eu digo. Boa noite doutora.
Ela se virou sem responder. E seguiu.