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24 de ago. de 2011

Elegias de amor incomum e incessante

Parte 1

Quando me olhas do alto com teu nariz empinado, e lança sobre mim teu escarro, completo-me apenas por saber que algo de ti veio até mim. 

Perdi minha alma em teu encontro,
Não a vendi simplesmente a doei.
Arranquei do peito o coração, 
Para alimentar o teu ego.
Tu escolheste rosas para eu apanhar,
Procurei de cada espécie uma,
Dei-lhe um belo buquê.
Dos caminhos que eu podia seguir,
Você me indicou o inferno,
Eu fui e lá permaneço.
Sinceramente não sei,
Tu me moves do pior jeito,
E eu o aceito.
Tu ignora-me, xinga-me,
Cospe-me, enforca-me,
Esfola-me, e eu ainda o amo.
Faz-me transitar em plena
Avenida do contorno nua,
Para gritar que lhe gosto.
Retira de mim toda a sanidade,
Diz-me no ouvido que me odeia
Mais que ama minha obediência,
E eu declino a ti novamente,
Pois ama algo em mim,
E é tão pouco mais me basta.

Parte 2

Os outros são apenas outros, eu permaneço em mim sem ti. Enquanto você me explora eu tento retornar, porém fico presa até quando não sei.

Soubestes desde o primeiro momento minha devoção,
Deixou-me acampar do lado de fora de ti.
Enquanto eu lhe deixava morar em mim.
Hoje de fato sei que me possui,
E sei também que nunca o terei.
É certo e é fato este teu costume,
Arrasta-me ao pior lado meu.
Assassinei cada um de meus princípios,
A fim de amar-te.
Hoje o caráter que tenho é corroído,
Ferido tal como os que feri.
Ouvi diversas vezes que estava errada,
Que me perderia, que não era eu.
Pouco me importei com tudo isto.
Afinal estavas ali, passo a passo,
Me incentivando a servir-te.
E o amor que lhe tinhas,
E que tanto cultivei,
Transformou em insanidade,
De frente ao espelho, observo-me. 
Sorrio a mim, tristemente.
Ao certo foi amor,
E assim será.

Parte 3

Naveguei duas semanas ou seis, foi quando notei eu preciso retornar.

Mesmo hoje não sou diferente,
Sei é amor que sinto,
Mais tomei certa dose de razão,
Ela desceu como navalha a garganta,
Feriu tudo que há em mim.
Porém meus olhos ficaram intactos,
Tal como meus sentimentos.
Passei a observar-te de outro modo,
Percebi que amar-te me derruba,
E isto não é bom,
Porém eu gosto assim,
Ser sua metade parte de ti.
Amarei á mim um pouco mais,
Observarei sem cansar, 
Mudarei meus trajetos,
Terminarei em fim, 
Enterrada em teus compassos,
Abraçada a mim.

Parte 4

Engraçado o modo como vemos a vida, e como nossos pontos de vista variam com o ponto em que estamos.

Hoje completamente só,
Sei que agora me amas,
Nem que sejas um pouco.
Tratava-mês como eu deixava,
Minha atitude é que lhe comandava,
Se eras sádico comigo foi porque eu deixava,
Agora que me quero, que me desejo,
Você se afastou, tem medo.
Chegou a me ligar e querer saber de mim,
Inventou mil desculpas para não dizer,
Mais hoje quando te vi a rua,
Olhou dentro dos meus olhos,
Eu sei, eu vi,
Não queres confessar mais hoje,
Sabes ama-me.

Parte 5

Ver alguém ir é tão ruim, principalmente quando há amor.

Agora que sabemos que nos amamos,
Assim por completo,
Que nos confessamos entre beijos,
Abraços e muitas caricias,
Que somos mais que desejos e paixão.
Nós saímos pela porta, 
Dissemos adeus,
E você nada fez para deter isto,
Eu tão pouco.
Sorrio ao lembrar de como éramos,
Sorrio a cada lembrança tua,
Não sofro sua ausência,
E sei que não sofres a minha,
Quando a saudade chegar,
Uniremos-nos em torno de nós,
Daremos as mãos numa valsa
Seguiremos o compasso da música,
Do nosso jeito,
Na única forma que sabemos amar.
Começaram a nos criticar,
Dirão que nunca seremos felizes.
Tolos, estão todos enganados,
Hoje somos tão um,
Como nenhum deles...
Jamais conseguirão ser.

Parte final

Enquanto eles nos criticam, o amor vence outra vez, e aquela velha canção ainda toca, eu fecho os olhos e lhe pego beijando-me.

Tentei inúmeras vezes enganar-me
Então percebi que diziam infâmias verdadeiras,
Que sonhava em vão, outra vez tal como sempre.
Eu não me canso de amar-te,
Não me peças para desistir,
É bem mais fácil apoiar-me no teu amor,
Do que pedir para eu partir.
Disse a mim, que seria melhor não lhe ver,
Tocar-lhe, lhe ter. Menti...
Saudades é como um sabre, lançado ao peito,
E que mesmo depois que se é tirado,
Deixa a cicatriz, deixa sua marca.
Salvei-me em uma redoma,
Escondi-me de tudo e de todos,
Meus pensamentos foram turbilhões.
Então eu por fim notei,
É ódio, ganância é paixão,
Tudo isto que sinto por você.
Traio-me outra vez e morro,
Enquanto eu vou, meu corpo bem sabe,
Ainda o amo, pois escrevi em minha alma
Para a eternidade:
“Quando alguém lhe cuspir, saiba este é teu amor eterno”.
Sim eu sei tola outra vez, e me entrego.

Nas asas dos sonhos

Sabem, os sonhos são nossos fieis escudeiros, eles às vezes nos dão sentido, nos guiam ao viver, porém ouvir de uma amiga que os melhores sonhos são o que temos acordados, acho que ela tem razão...


Letícia estava sentada no banco da praça, vestida com um belo vestido rosa, tinha a pele negra, os olhos pretos inocentes, e uma boca carnuda. Extasiava-se de prazer ao observar as folhas caírem da arvore, e as vezes sorria quando o vento as carregava, levantou-se e começou a seguir as folhas, ora as verdes ora as vermelhas, e algumas vezes as secas. Ela estava só. Apenas ela e o sol forte sobre o céu. Um lindo azul resplandecia ao cantar dos pássaros e voar das andorinhas, lá em cima um avião riscou o céu, deixando um rastro, que sumiu pouco depois. 
Sem que percebesse Letícia já estava a pular pela praça, dando gargalhadas estrondosas, corria livremente, abraçava arvore, lançava pedra ao pequeno lago, enquanto elas se ricocheteavam em três pequenos pulos, tentava contar os patos que estavam unidos como se conspirassem, e sempre errava a conta, quando um deles resolvia correr e alertar os outros, de que ela os observava, eles mudavam de posições e recomeçavam suas idéias de dominação mundial. Ela recomeçava a brincadeira.
Por fim algum tempo depois, ela caiu sobre a grama verde. Olhou para o céu, algumas nuvens tinham chegado, ela soltou um suspiro, ao ver uma que parecia ser um menino, e a cada movimento imaginou o menino a caminhar em sua direção. Fechou os olhos, podia sentir o calor do sol em seu rosto, pareceu ser coberta por alguém, sentiu calafrio na nuca. Lembrou-se da nuvem ela já não estava mais do mesmo jeito, parecia que agora deitava sobre alguém. Sim a nuvem era um menino, lindo, branco, alvo, sincero e que lhe sorria com belos dentes, que lhe piscava e deixava a mostra um belo olho verde. Que lhe acariciava a pele, e os dois assim unidos pareciam o encontro da lua com o sol, o menino com sua boca rosada, tornou-se sério e ao mesmo tempo irresistível, ela corou quando percebeu que tentava beijar o ar, mais prosseguiu em seu sonho maluco, fechou os olhos, o menino agora lhe tocava a testa com um beijo, desceu devagar beijando as muitas partes de seu rosto, quando por fim tocou-lhe a boca, era gelado seu beijo. 
Letícia abriu os olhos, então pode ver chovia, os pingos de chuva desciam sobre o chão, tocando uma bela valsa, o sol iluminava a pista de dança e a nuvem... Bem a nuvem se desfazia a cada beijo, e Letícia já de pé, a bailar em um compasso de seus um, dois e três, fantasioso e tão real que de dentro dela saiu também uma chuva, seus olhos trataram de molhar a face, também queria retribuir o beijo do menino, também queria mostrar a ele que estava ali por inteiro, sem cobranças, sem pensar no depois. 




A garota do vestido rosa, que foi a praça para se esquecer de seu amor, pode então descobrir porque chove quando existe sol, e se abraçou por inteiro.