Parte 1
Quando me olhas do alto com teu nariz empinado, e lança sobre mim teu escarro, completo-me apenas por saber que algo de ti veio até mim.
Perdi minha alma em teu encontro,
Não a vendi simplesmente a doei.
Arranquei do peito o coração,
Para alimentar o teu ego.
Tu escolheste rosas para eu apanhar,
Procurei de cada espécie uma,
Dei-lhe um belo buquê.
Dos caminhos que eu podia seguir,
Você me indicou o inferno,
Eu fui e lá permaneço.
Sinceramente não sei,
Tu me moves do pior jeito,
E eu o aceito.
Tu ignora-me, xinga-me,
Cospe-me, enforca-me,
Esfola-me, e eu ainda o amo.
Faz-me transitar em plena
Avenida do contorno nua,
Para gritar que lhe gosto.
Retira de mim toda a sanidade,
Diz-me no ouvido que me odeia
Mais que ama minha obediência,
E eu declino a ti novamente,
Pois ama algo em mim,
E é tão pouco mais me basta.
Parte 2
Os outros são apenas outros, eu permaneço em mim sem ti. Enquanto você me explora eu tento retornar, porém fico presa até quando não sei.
Soubestes desde o primeiro momento minha devoção,
Deixou-me acampar do lado de fora de ti.
Enquanto eu lhe deixava morar em mim.
Hoje de fato sei que me possui,
E sei também que nunca o terei.
É certo e é fato este teu costume,
Arrasta-me ao pior lado meu.
Assassinei cada um de meus princípios,
A fim de amar-te.
Hoje o caráter que tenho é corroído,
Ferido tal como os que feri.
Ouvi diversas vezes que estava errada,
Que me perderia, que não era eu.
Pouco me importei com tudo isto.
Afinal estavas ali, passo a passo,
Me incentivando a servir-te.
E o amor que lhe tinhas,
E que tanto cultivei,
Transformou em insanidade,
De frente ao espelho, observo-me.
Sorrio a mim, tristemente.
Ao certo foi amor,
E assim será.
Parte 3
Naveguei duas semanas ou seis, foi quando notei eu preciso retornar.
Mesmo hoje não sou diferente,
Sei é amor que sinto,
Mais tomei certa dose de razão,
Ela desceu como navalha a garganta,
Feriu tudo que há em mim.
Porém meus olhos ficaram intactos,
Tal como meus sentimentos.
Passei a observar-te de outro modo,
Percebi que amar-te me derruba,
E isto não é bom,
Porém eu gosto assim,
Ser sua metade parte de ti.
Amarei á mim um pouco mais,
Observarei sem cansar,
Mudarei meus trajetos,
Terminarei em fim,
Enterrada em teus compassos,
Abraçada a mim.
Parte 4
Engraçado o modo como vemos a vida, e como nossos pontos de vista variam com o ponto em que estamos.
Hoje completamente só,
Sei que agora me amas,
Nem que sejas um pouco.
Tratava-mês como eu deixava,
Minha atitude é que lhe comandava,
Se eras sádico comigo foi porque eu deixava,
Agora que me quero, que me desejo,
Você se afastou, tem medo.
Chegou a me ligar e querer saber de mim,
Inventou mil desculpas para não dizer,
Mais hoje quando te vi a rua,
Olhou dentro dos meus olhos,
Eu sei, eu vi,
Não queres confessar mais hoje,
Sabes ama-me.
Parte 5
Ver alguém ir é tão ruim, principalmente quando há amor.
Agora que sabemos que nos amamos,
Assim por completo,
Que nos confessamos entre beijos,
Abraços e muitas caricias,
Que somos mais que desejos e paixão.
Nós saímos pela porta,
Dissemos adeus,
E você nada fez para deter isto,
Eu tão pouco.
Sorrio ao lembrar de como éramos,
Sorrio a cada lembrança tua,
Não sofro sua ausência,
E sei que não sofres a minha,
Quando a saudade chegar,
Uniremos-nos em torno de nós,
Daremos as mãos numa valsa
Seguiremos o compasso da música,
Do nosso jeito,
Na única forma que sabemos amar.
Começaram a nos criticar,
Dirão que nunca seremos felizes.
Tolos, estão todos enganados,
Hoje somos tão um,
Como nenhum deles...
Jamais conseguirão ser.
Parte final
Enquanto eles nos criticam, o amor vence outra vez, e aquela velha canção ainda toca, eu fecho os olhos e lhe pego beijando-me.
Tentei inúmeras vezes enganar-me
Então percebi que diziam infâmias verdadeiras,
Que sonhava em vão, outra vez tal como sempre.
Eu não me canso de amar-te,
Não me peças para desistir,
É bem mais fácil apoiar-me no teu amor,
Do que pedir para eu partir.
Disse a mim, que seria melhor não lhe ver,
Tocar-lhe, lhe ter. Menti...
Saudades é como um sabre, lançado ao peito,
E que mesmo depois que se é tirado,
Deixa a cicatriz, deixa sua marca.
Salvei-me em uma redoma,
Escondi-me de tudo e de todos,
Meus pensamentos foram turbilhões.
Então eu por fim notei,
É ódio, ganância é paixão,
Tudo isto que sinto por você.
Traio-me outra vez e morro,
Enquanto eu vou, meu corpo bem sabe,
Ainda o amo, pois escrevi em minha alma
Para a eternidade:
“Quando alguém lhe cuspir, saiba este é teu amor eterno”.
Sim eu sei tola outra vez, e me entrego.