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8 de set. de 2016

Ansiedade

Ela chega como quem não quer nada,
começa me impedindo de sair da cama.
As vezes é bem branda,
me sussurra sem que eu perceba:
Não se mova daí.

Em meio aos meus muitos planos,
Ela é capaz de sobrepor todos eles.
Sinto as mãos frias,
coração palpitando.
A respiração ofegante.

As vezes eu não a percebo tão rápido,
Ela chega como um aperto no coração.
Me convence ao choro,
já não sei o que penso,
Meu mundo é o tudo dela.

Ela chega e muda tudo,
a vontade, minha sutileza.
Tudo tão trêmulo...
Já não existe alegria,
E não sei nem o porquê.

Ela supera até necessidades comuns,
Esqueço de dormir, de comer.
Ela me deforma as ideias,
já não sou capaz...
Nada é o que ela me torna.

A coragem se dispersa,
Mas amanhã é outro dia,
Preciso organizar meu ritual,
Hoje eu perdi, outra vez...
Amanhã não.

Levanto pouco a pouco,
Estico os braços: ligo minha música,
Só hoje, por agora.
Acendo o incenso,
Observo pela janela.

Respira-se fundo,
Tenta não entender,
Já é tudo incompreensível.
É difícil,..
Fuga.

Aqui está ela,
Não precisa de motivo.
Confunde-se.
Confunde-se.
Confunde-se.

Ela ainda bate em mim.
Atravessa o compasso destes sons.
Eu vou lutando.
Outros não entendem seu domínio.
Eu permaneço.

Pouco a pouco me desvencilho,
foi por pouco,
Este nó na gargante de perder.
Vai permanecer por mais um dia,
Mas amanhã é outro dia.

Preciso agora, só hoje,
Então me recomponho,
Tento salvar o que ainda me resta.
Lá esta ela, um pouco longe agora.
E já não preciso de ajuda.

Só por hoje,
Só por agora.
Levanto, escrevo.
Recomeço a cada dia,
amanhã? não me importa.

Só por hoje,
Ela se vai.
E não me perturba mais.
Adeus. Por agora.
Adeus.