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16 de ago. de 2012

(Capitulo 1) Depois do amanhecer


Às vezes eu fico pensando, o que será o bem? O que será o mal? Quem é bom? Quem não é? Ajudar uma senhora atravessar a rua, é fazer o bem? Ser educado é ser um bom filho? Não ferir as leis é ser um bom cidadão? Meu nome é Fernando, tenho vinte e três anos, acredito que por noventa e nove por cento da população eu sou considerado mal, e para o restante, inclusive minha mãe, se soubessem do que faço, me considerariam louco.
- E Você?
- Eu? Para mim sou apenas mais um entre tantos outros, que vive da melhor forma que pode, e faz aquilo que quer. Você pode considerar hipocrisia, mas é a verdade. Hipocrisia é viver em mundo se fazendo de santo e ser um covarde em assumir seus atos.
- Mas não é o que você fazia? Você não foi pego, enquanto se escondia?
- Você esta falando de um fato isolado. Eu nunca escondi o que fazia, nunca forcei ninguém a me seguir. E todas aquelas pessoas que eu escolhi, todas elas, eu apenas adiantei o sofrimento que causariam as pessoas que gostam, e a si mesmos.
- Você considera que fez o bem a estas pessoas?
- De uma maneira sim.
- E todas aquelas mãe que ainda choram? E todas as famílias que sentem falta?
- Isto é apenas como elas vêem o que aconteceu. Todos eles eram apenas pessoas que não teriam futuro algum, eu apenas fiz o melhor para eles. Evitei um transtorno muito maior, todos me julgam, mas ninguém aqui sabe a verdade.
- E o que é a verdade?
- Eu estou te entendendo, todo este teu joguinho. Você quer que eu pire, que eu grite, brigue contigo. Isto não vai acontecer. Eu passei toda minha vida sabendo que isto iria acontecer, eu nunca achei que sairia impune.
- Então você concorda que merece uma punição?
- É o que a legislação brasileira diz. Ela é bem clara.
- Então você reconhece que cometeu algum crime contra a legislação?
- É você quem esta dizendo, o que eu estou dizendo é o seguinte, perante a legislação eu errei. Mas isto não quer dizer que eu concorde com isto. E aliás, eu duvido que a doutora não tenha cometido algo que ferisse o código de leis brasileiro, ao menos uma vez na vida.
- Não senhor, eu nunca cometi.
- Bem Doutora Larissa Benderbergue de Oliveira Castro. Oliveira da mãe, Castro do pai. Uma linda menina quando nasceu, sabiam que ia ser um prodígio aos 07 anos de idade quando construiu seu primeiro vulcão ao assistir um filme pela televisão. Se formou em psicologia pela UFSP, fez mestrado em criminologia também pela UFSP, e doutorado em ciências criminais pela UFMG.  Atualmente é casada, tem dois filhos, uma meninha linda de dois anos, eu a vi, aqueles olhos, o cabelo louro...
- Cale a boca.
- Tão branquinha, linda. Seu menino também é lindo. Parece com o pai...
- Cale a sua boca, seu cretino. Desgraçado.
- Esta ficando nervosa senhora? Deve manter o controle, afinal você é quem é a profissional por aqui.
Larissa abriu a porta e saiu. Ela seguiu em direção ao banheiro, assim que chegou, ficou olhando no espelho, dobrou a manga da camisa, encheu a mãe de água e lançou sobre o rosto. A imagem do rosto de Fernando não saía da sua cabeça, aquele homem deve ser um louco.
- Calma Larissa, não perca a compostura. Respire fundo.
Como se alguém estivesse dizendo para a ela o que fazer ela obedeceu. Agora já estava mais racional. Saiu do banheiro, pegou sua bolsa em cima da mesa e foi para casa. Seu expediente havia terminado.


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