Toda vez que eu passava em frente aquela igreja, e olhava lá para dentro, e observava aquela cruz, com aquele homem pendurado. Ficava um pouco confuso, e perguntava para minha mãe quem ele era, porque estava ali, se estava doendo. Ela sempre respondia com aquele olhar terno, que era o filho de Deus, que um dia morreu por nós. Eu ficava com uma dó dele, ali pregado para sempre. Chorava e chorava dizendo:
- Tadinho dele né mãe?
- É mesmo filho. Fazia o sinal da cruz, que eu sempre imitava. E continuávamos nossa caminhada, falando aquela conversa de mãe e filho, onde ela era conhecedoras de todos os saberes, e eu só alguém que perguntava tudo e sempre tinha a resposta, era muito inteligente.
Houve um dia que eu vi um homem vendendo algodão doce, bem ali do outro lado da rua da igreja, larguei logo da mão de minha mãe e corri, queria tanto aquele algodão. ela veio atrás de mim gritando:
- Olha o carrooooo.....
Eu não o vi, não mesmo, e de repente senti alguém me empurrando, era minha mãe, caído no chão olhei para atrás, lá estava ela caída ensanguentada no chão e o carro logo a frente. Fui me aproximando dela, já esquecido do algodão, senti um calafrio nas costas, a abracei, foi quando ela me disse:
- Eu te amo meu lindo. Foi a ultima coisa que ela disse para mim, e também a ultima vez que a senti tão quente. Não queria solta-la nunca, eu não sabia bem o que estava ocorrendo, um homem alto veio e me tirou da minha mãe, que homem mal era aquele? Porque fazia aquilo? Fiquei tão assustado que comecei a correr, corri o máximo que pude. Pensava em todas aquelas cenas. Até que começou a chover. Fui parando devagar, comecei a chorar, foi então que lembrei do que minha mãe havia dito:
" - Deus esta no céu." Foi ai que entendi, o quanto este Deus era bondoso, e também sofria comigo, pois chorava a morte de minha mãe, junto a mim.
Foi o pior dia de toda a minha vida.
E é sempre nestas horas, em que a chuva começa a cair que me lembro da minha mãe e choro, pois sei olhando pela janela, que outro menino acabou de perder sua mãe, e isto é muito triste.
Nenhum comentário:
Postar um comentário