Fios, fios, fios...
Passa a pregar os olhos...
Passa a pregar os dedos...
Passa a pregar os braços...
Prega a alma...
Prega o coração...
Só não prega a mente,
Que voa livre...
Lá no alto do escárnio.
Cada detalhe,
Cada passo...
Nesta costura louca,
Fio, fio, fio, fio...
Para esquentar a alma,
Guarnecer os pés.
Fio, Fio, Fio...
Que de montes formam cobertas.
Esquenta-se o corpo...
Deixa descoberto o espírito.
Cada detalhe,
Cada passo...
Este arrojo sádico,
Ele a costura.
Ela o costura.
Elas se costuram,
Eles vão se costurando.
Fio, Fio, Fio.
De tanto fio,
Veio o meu gato.
Sangue sorrateiro,
Filhote assassino,
Arrancou-me o peito...
Deixou-me sem o fio.
Cada detalhe...
Cada Passo...
Morre aqui a máquina,
Deixou de tecer a vida.
E fio? Apodrece na lama.
Acabou-se a trama.
Nenhum comentário:
Postar um comentário