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20 de ago. de 2012

(Capitulo 4) Depois do amanhecer


Sentada dentro de uma sala não muito grande, com a luz baixa centrada no abajur sobre a mesa. Elisa olhava ao redor, ainda não entendia porque estava ali. Olhou no relógio, marcavam dezessete horas. Já estava esperando a mais de quarenta minutos. Levantou-se, olhando para o painel de vidro que apenas a refletia pode ver a câmera. Balançou os braços como chamando alguém.
- Oi. Tem alguém ai? Eu to com fome.
Do outro lado da vidraça. Observando a garota se mover pela sala, Edgar, Lucas e Larissa permaneciam calados. Até que Larissa quebrou a lei do silencio.
- Vamos até lá. Ela não é nenhuma criminosa, não acho que deva receber o mesmo tratamento. Isto é contra as regras Edgar. E você sabe.
- Sim eu sei.
- Então?
- Fica quieta ai.
Eles ficaram observando a garota por mais uma hora e vinte. Até que Edgar disse:
- Lucas, vá lá e diga a ela para voltar amanhã neste mesmo horário, invente qualquer coisa por não termos podido colher seu depoimento hoje, mas não fale o motivo de ela estar aqui.
- Mas senhor... Edgar franziu a testa de tal maneira que Lucas não terminou a frase, prosseguiu. Larissa ficou olhando para o Edgar, mas, não disse nada. Ela não conseguia entender sua atitude.
- Não tente decifrar minha cara, amanhã saberá.
- Parece que todos neste lugar lêem pensamentos. O que esta havendo?
- Não somos nós doutora, é você. Seu rosto fala muito mais do que suas palavras. Larissa pensou mais uma vez em falar, e outra vez se calou. Talvez ele tivesse razão, ficou durante um tempo no banheiro feminino, treinando em frente ao espelho caras e bocas. Até que desistiu.
....................
Larissa acabou de almoçar e seguiu para a sala. Fazendo seu ritual costumeiro, estalou os dedos e respirou fundo, entrou.
- Boa tarde doutora.
- Boa tarde, Fernando. Como estas?
- Você tem mesmo a mania de perguntar como as pessoas estão, ou apenas faz isto porque não sabe como iniciar um assunto comigo?
Larissa olhou dentro dos olhos dele, “é verde pensou”, em todo este tempo ela jamais havia percebido como eram verdes, pareciam água de piscina.
- O que foi doutora acaba de descobri que tenho razão?
- Não é isto.
- Entendo.
- Sabe Fernando, eu pensei diversas vezes do porque de você matar, e acho que seu discurso de salvação do mundo é inválido. Continuo com a tese de que você é um porco egoísta, achou que matando as pessoas que passavam pelo mesmo problema que você, poderia causar dores nas pessoas que causavam estes problemas. Mas não conseguiam limpar-se não é mesmo?
Ao perceber que os pés de Fernando começaram a se mover, ela enfim acreditou ter criado algo diferente nele e continuou:
- Porque eu sei que não foi legal, sua mãe te jogou no lixo, que espécie de mãe faz isto com uma criança? Sabe, eu acredito que sei qual a profissão de sua mãe. Para mim ela é vidente. Ela deveria saber que espécie de porco você se tornaria.
O alto falante soou:
- Doutora, se controle. Ela olhou para a câmera:
- Fica na sua. Eu sei fazer o meu trabalho. Voltou-se para Fernando. Agora ele assoviava como se não quisesse ouvir o que ela falava. – Fernando. Diga-me uma coisa, você tem coragem de se enfrentar no espelho? Não deve ter espelho na sua casinha não é? Eu acho que tenho um espelho por aqui, em algum lugar. Disse ela revirando sua bolsa. – Sabe é difícil encontrar alguma coisa em bolsa de mulher. A não, disso você não deve saber. Pronto, aqui esta. Olhe.
Fernando olhou para o espelho, ficou quieto.
- O que você vê? O silencio prevaleceu. – Responda porquinho, oinc oinc. Fernando ficou nervoso, começou a se balançar na cadeira de tal modo que ela tombou, enquanto Larissa pensava no que falar, ele começou a gritar:
- Você não sabe. Você não sabe o que é ser eu. Sua classe média de merda.
E novamente o alto falante soou:
- Doutora, chega por hoje.
Ela agachou-se ao lado dele. Olhando para frente disse:
- Pronto, desta vez é você quem esta no chinelo. E se retirou.
Deu de cara com Edgar que furioso falou aos gritos:
- O que pensa que esta fazendo? Não gosta do seu emprego? Não da conta do recado? É só dizer, eu lhe demito. Mas tem que ser no mínimo digna. Ela continuava a caminhar. Sem dar atenção para o que ele falava. – Já entendi, é isto que você quer? Ela parou a caminhada, olhou para ele:
- Você não entendeu nada. Mas pode fazer o seu trabalho que eu faço o meu.
- Do que você esta falando?
- Eu tenho uma brecha, depois de tantos dias, enfim, consegui uma fresta para continuar. E você me enche de sermão?
- Do que você esta falando?
- Leia amanha no relatório. Meu horário findou.
- Senhora Larissa. Eu preciso que me diga isto agora... Não continuou, ela já não estava mais na sala. Provavelmente não lhe ouviria. Ele retirou uma garrafa do bolso, tomou um gole. Olhou bem para a pequena garrafa, estava escrito “Whisky Americano”, virou todo o conteúdo. Olhou no relógio e também partiu.  

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